sábado, 31 de maio de 2008

PIER-PRAIA DE IPANEMA



















Pier - Praia de Ipanema 1972
Foto de Aurelino Gonçalves, mostrando a Praia de Ipanema, em 1972, com a estrutura do "pier", quando era construído o emissário submarino de Ipanema (canalizador dos esgotos da Zona Sul). O "pier", que ficava entre as ruas Farme de Amoedo e Teixeira de Melo, teve seu período áureo de 1970 a 1973.
Os tubulões ocupavam largo espaço na areia . Naqueles anos o espaço em torno do "pier" tornou-se o ponto de encontro da vanguarda carioca, transformando-o no novo "point", desbancando o Castelinho e o trecho em frente à Rua Montenegro (hoje Rua Vinicius de Morais).
As dunas que se formaram na praia por conta da obra, abrigaram uma fauna variada, principalmente "hippies". Eram as "dunas da Gal" ou "dunas do barato": tudo ali era permitido (o curioso é que, numa época de grande repressão, a Ditadura não se envolveu com esta manifestação).
Por esta época, por motivos políticos, começou a descaracterização da Praia de Ipanema, antes com o gabarito dos prédios limitado a quatro andares. Foram liberados os arranha-céus, que geraram muito dinheiro para alguns e quase transformaram Ipanema em Copacabana, com seu paredão à beira-mar.
Na foto vê-se, também, a construção do Panorama Palace Hotel, sobre o morro, com vista deslumbrante para a Lagoa e para a Praia de Ipanema - o hotel nunca foi concluído. No final dos anos 60 e início dos anos 70, funcionou em suas instalações o bar-boate Berro D´Água, que fez muito sucesso. Era um terraço enorme, debruçado sobre a Lagoa, onde se bebia e dançava. Com a construção do hotel falida, suas instalações parcialmente construídas foram cedidas para a TV Rio, quando esta saiu do Cassino Atlântico no Posto 6. Com o fim, também, da TV Rio, a estrutura foi adaptada para o funcionamento de um CIEP, idealizado por Leonel Brizola.
No morro vê-se, também, a até então razoavelmente tranquila favela do Cantagalo. Da esquerda para a direita: a casa da esquerda, na esquina da Rua Farme de Amoedo, foi substituída por um arranha-céu. A casa da outra esquina da Rua Farme de Amoedo está preservada, ali funcionava o Espaço Lundgren (casa de moda feminina de alto luxo). No trecho entre as ruas Farme de Amoedo e Teixeira de Melo, houve pouca modificação (ali ficava o apartamento de JK), e na casa mais escura, quase na esquina da Teixeira de Melo funciona a Casa de Cultura Laura Alvim. Na esquina da Teixeira de Melo, a casa de esquina foi substituída por um prédio de apartamentos. Ipanema, na década de 1970, viveu seus últimos anos da época dourada.

Um comentário:

Anônimo disse...

E ae brows, beleza? Desembarquei no Rio no verão de 1973 e fui direto para Ipanema; como não tinha onde ficar perguntei para um carinha destas barraquinhas "Genial" onde ficavam os malucos e ele apontou na direção do Pier de Ipanema, lugar onde "morei" durante 1 mês antes de me descolar e ir morar em um conjugado na Rua Saint Roman. Conheci vários malucos ali, entre eles o Lenny Dale, Rose Di POrimo (nooosa, uma tremenda gata na época) o Rico (surfista),o Ezequiel Neves e convivi na praia com uma porrada de artistas tais como: Gal Costa, Caetano Veloso, Novos Baianos e inumeros carinhas que conheci no Arpoador, no Posto0 9, no Bar Bofetada, no Veloso, no restaurante Natural, no Ovo do Dia, enfim em vários lugares. Foi uma época muito louca na minha vida. Hoje, mais comportado moro em São Paulo, mas nunca esqueci daquelas loucas baladas.